Vértebra Social

A social anti-ética

Publicado em Vértebra por Vagner Heleno em 28/Maio/2009

Vivemos em uma organização social onde os fins justificam os meios, em uma estrutura familiar em que a educação é baseada no padrão de consumo. Estamos submersos em consumo, lucro e débito. Parcelas, juros, prestações, aluguéis… Educamos o mundo para sabermos agir diante destas situações.
Um breve exemplo da bestial hipocrisia em que estamos nos afogando, para não concretizar o termo, me ocorreu hoje em um treinamento no trabalho. Situação esta que é a seguinte.
A gerente da loja relatando que como somos vendedores, nós fizemos nosso salário, logo, quanto mais vendas fizermos mais “lucro” teremos. Nos contou sobre um ex-funcionário que lhe apareceu feliz por ter comprado uma moto com as economias do ano. Beleza. Encerrou a conversa assim. “Quem de nós não quer uma casa melhor, um carro melhor, uma roupa mais cara, um bem estar maior… é pra isso que estamos aqui no mundo, para sermos felizes e adiquirirmos coisas… só que a gente tem que trabalhar pra isso, essas coisas não caem do céu…”
Ponto.
Ela, a gerente, é pastora de uma dessas infinitas segregações ideológicas do cristianismo, professora de teologia inclusive. Pegando leve na crítica, uma mulher com conhecimento filosófico do cristianismo me fala uma besteira redondademte avessa à sua crença e hábito pseudo-ético, “… é pra isso que estamos aqui, para sermos felizes e adiquirirmos coisas…”. Desde quando “Jesus disse”: “compre uma carruagem nova, compre uma roupa de fino linho e serás feliz… levará consigo tuas riquezas materiais, pois nela habita o reino de ‘deus’”. Hein?
Veja bem, meu bem… sinto lhe informar… o mundo é tosco e ignorante. E é fato.
Qualquer pessoa com um mínimo de dicernimento conseguiria ao menos pasmar diante de um posicionamento desses e lhes retirar o crédito (não monetário, mas também o vale, visto o dízimo), pois esse tipo de absurdo é fruto do condicionamento pelo sistemas de crenças e do sistema social que nos permite justificar o fim pelo meio.
É dito e relembrado que isso é uma condição humana natural. Avareza, ganância, hipocrisia e deslealdade NÃO É da essência humana. Somo ensinados desde moleque a crer que o que vale é o melhor pra si, que o que vale é a vitória, competir que se dane, na trapaça ou na ameaça, o que vale é ganhar. Vivemos corformados com a concorrência integral, com a necessidade de competir para vencer. Para vencer um jogo que no fim das contas, não te levou á nada, talvez à uma tardia consciência que não se viveu, aprendeu, nem amou o que deveria ser amado. Quando se chegar na velhice e perceber que você não passará de um estorvo para seus filhos, pois será gasto e tempo perdidos com uma pessoa que não lhes serve mais. E, querendo ou não, com a piedade mais cínica possível, vai sentir pena e sentir alívio quando poder lucrar em paz.
Tempo é dinheiro. Saúde é dinheiro. Venda sua alma ao banco, penhore sua vida. Sustente alguém que não faz nada mais à você que não lhe cobrar juros e moratórias. Viva anti-eticamente. Seja tolo, seja imbecil, seja ignorante, cego e manipulável. Parabéns, vocês estão conseguindo destruir o que nos sobra de vida.

Uma resposta

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  1. Mecano said, on 28/Maio/2009 at 10:36 pm

    Ela não terminou a palestra com uma oração? ;D


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