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10/março/2011 / Vagner Heleno

Deus Puro

A dualidade é presente no universo em todos os seus aspectos quânticos, filosóficos, dinâmicos, etc. Tudo é fundamentado na existência do dual.

Dentre os mais simples exemplos, o bem e o mal se sobressaem por dar voz à todas as outras dualidades.

A Luz e a Treva, Deus e Lúcifer. Oriundos e interdependentes entre si. Assim como Eva veio de Adão, segundo a mitologia cristã, Lúcifer veio de Deus e deve, espero, pois desconheço, ser explicada n’algum livro sagrado cristão que esclareça o surgimento do oposto do Bem/Deus/Luz.

No que diz respeito às oposições entre as personificações máximas das forças ocultas, posso crer que esta dualidade, assim como todas as outras, têm o mesmo príncipio, e não oposto. “Complementar” seria um adjetivo ainda frágil para descrever porque do equilibrio que é sustentado pela igualdade das forças.

Dentro das minhas crenças, tenho como conclusão, mas não certeza, que o “mal” abriga o princípio do Deus puro, sem a dualidade necessária para o desenvolvimento do universo, da vida e da consciência.

Se acaso a dualidade é necessária para a estabilidade da própria criação, ela não pode ter um lado plenamente mau, a menos que o “mau” desejasse sucumbir ou o “bem” o desejasse. Dentro deste lado mau da força deve existir um princípio, que chamei de Deus puro, mas poderia ter chamado de Vontade ou Providência ou Destino, que é o que move, o que faz mover, o que caminha, não o passo ou direção ou o caminhante.

O caminhante eu poderia atribuir o papel de detentor do ato e o passo daria-o o papel da intensidade do caminhar, ponderando entre potência e velocidade/obstinação ao que a direção lhe encaminha ou o delega fazer dentro da dualidade pelo equilibrio.

Deus puro estaria contido dentro das dualidades sendo o princípio que anima as forças para que o próprio todo subsista, sendo ele bom ou simplesmente existencial, sem lado, posição ou direção. Simplesmente, uno.

19/agosto/2010 / Vagner Heleno

Uma Nação de Idiotas

Texto um tanto inacabado…

Vivo num país de imbecis. Tolos e despercebidos zumbis sem direção ou senso de ser. Não, não falo de pessoas sem cultura, nem de pessoas sem escolaridade mínima. Falo de uma classe pior, falo dos fúteis.

Hoje foi a final da Libertadores da América, um campeonato de futebol, e o vencedor foi o Internacional. Isso é só pra situar, pouco importa quem venceu. Estou escutando na minha fracassada noite de sono os gritos, buzinadas, trompetadas e foguetes da torcida insandecida no centro da cidade.

Me recordo de uma algazarra tamanha só no impeachement do Collor em 92, quando eu tinha 7 anos. Tambem não me recordo de uma comemoração de ano novo ser tão calorosa assim.

Certo que alguns estão achando que é um elogio meu aos torcedores pela festa feita, mas não, releiam o primeiro parágrafo.

Acontece que percebo nesses dias o quão idiotas somos. Assistimos televisão, seja em jogos de futebol, novelas e ou baboseirais confundidos com programas de humor. Os torcedores vão aos estádios, aos bares, às ruas e aos tapas e uivos. Os militantes vão às ruas, às urnas, às praças e aos comícios.

Vejamos o futebol (que é meu carrasco de hoje).

O torcedor vai ao estádio. Paga 40, 50, 60 reais pra ver 22 caras correndo atrás da bola, um apitando correndo atrás dos caras e dois manés correndo dum lado pro outro pelas laterais sem poder entrar no campo. Quando não tem ingresso e é um jogo como o de hoje, final de um campeonato dito importante, o imbecil paga 200, 300, 400 reais para um cambista pra poder entrar no estádio e assitir ao jogo com mais outros 50 mil igualmente imbecis.

Enquanto eles e outros tantos mais estão vidrados na tela, no estádio e nos rádios de pilha, o tempo rodopia aguçando a pressa que a vida têm de ser vivida.

Até encontro paralelo aos falsos profetas e ídolos que o apocalipse da bíblia profetiza. E não é verdade? Canso de ver, gremistas, colorados, corintianos, são-paulinos e todos os outros, em côro, solo e em berros que eles amam, que tem paixão, orgulho maior que tudo pelo seu time do “coração”.

Peraí, galera! Como alguém, em sã conciência pode dizer algo do tipo. Amar um time? Diz que ama tua mãe, tua mulher, teu amigo, teu marido, sei lá. Garanto que um torcedor desses proclama muitas vezes mais o seu amor ao clube que o exorta que o proclama às pessoas de verdade.

Um cretino que paga 400 reais (ou $40 que seja) para assistir a um jogo de futebol tinha de ir preso! Com 400 mangos tu alimenta uma família, FDP! E não me venha com o papo de moralismo capitasta que “eu trabalhei por esses 400 reais, gasto como quiser, se a família essa morre de fome problema é deles, do governo e dos outros”.

Seguinte, eu curto futebol, gosto de jogar no campo e no computador.Mas pelamordedeus! Pensem seus idiotas! Pensem! Pensem!

25/fevereiro/2010 / Vagner Heleno

O Analfomegabetismo

“Analfabeto funcional é a denominação dada à pessoa que, mesmo com a capacidade de decodificar minimamente as letras, geralmente frases, sentenças e textos curtos; e os números, não desenvolve a habilidade de interpretação de textos e de fazer as operações matemáticas. ” – fonte Wikipédia

Ler não é apenas decodificar símbolos, atribuí-los um som e, feito isso, um sentido unitário de palavra. Escrever não é apenas codificar sons ou pensamentos em símbolos e, símbolos unidos, formar um sentido singular de palavra. Ler e escrever é, não só um intercâmbio entre indivíduos (ou de temporalidade), um exercício da capacidade de raciocínio e de entendimento do mundo e de si.

No Brasil, 68% da população é constituída de analfabetos funcionais, com um adendo de 7% de analfabetos. Esta maioria, à qual ouso repousar o termo “massa”, não consegue extrair ou expor idéias compreendidas na língua escrita, tampouco de compreender as informações da televisão, rádio ou mesmo em palestras, conferências e fóruns.

É dito que a leitura não é vital ao ser humano, pois não o mantém, ao menos diretamente, vivo. Todavia, devo discordar expressamente desta opinião. Os cães não precisam de livros, sabem, instintivamente (ou já tem o conhecimento para tal) onde procurar seu alimento e, principalmente, não convivem em uma sociedade canina com uma gama de opiniões divergentes, poderes em desequilíbrio, formas de linguagem, sistema político complexo, etc.

Uso uma metáfora simples: precisamos chegar ao canto de uma sala. Para isso, organicamente, precisamos de pernas, pés e vitalidade para chegar lá, mas como saberemos que estamos indo na direção certa? Precisamos de visão, abrir os olhos ou acender as luzes, ver e analisar. Decidir o caminho e a direção correta do caminhar e seguir com o que o raciocínio estipulou como melhor a ser feito.

Logo penso, se para uma tarefa simples como esta, precisamos de um sentido e extrair deste sentido, tendo como ponte a subjetividade das informações que lhe chegam, uma diretriz que vá determinar o rumo e as conseqüências dos possíveis caminhos.

Além da alimentação, moradia e outros demais fatores para a sobrevivência do ser humano, precisamos que o uso dos sentidos e das faculdades mentais sejam utilizadas, plenamente, para a tomada de decisões que, sim (e muito), são vitais para o convívio harmonioso, justiça, evolução e para a construção de um modelo sustentável de convivência no Brasil e no planeta.

Certo estou de que podemos adquirir todo o conhecimento que se tem hoje que, no decorrer dos nossos milênios, nossa espécie adquiriu, sem ler. É óbvio que sim. Então na próxima vez que desejar construir um muro, construirei-o sem buscar informações em local algum, ao longo de várias quedas, hei de acertar o prumo e ele permanecerá erguido. Ou vou buscar, já que disponho disto, de informações em livros, por exemplo, para fazê-lo com um repertório de conhecimento talvez suficiente para deixá-lo erguido ou ao menos ultrapassar uma série de erros primários de engenharia?

Não é diferente na nossa sociedade. Para formarmos uma sociedade sólida, igualitária, estabilizada ou qualquer outro adjetivo que expresse um atributo à incansável sede de perfeição e harmonia no nosso habitat humano, precisamos, todos, de conhecimento e isto pode ser adquirido na literatura, teórica ou não. Seja lá que tipo for, mas desde que ela informe, que repasse um sentimento, idéia, contexto; que dê ao leitor a capacidade de ver o mundo, sair da caverna, observar com critérios a nossa sociedade. Interpretar o cotidiano, o dono da padaria, a notícia no jornal impresso, a receita do bolo atrás do pacote de farinha.

Mas que saibamos a importância que tem o conhecimento e o entendimento do mundo. Para nós Humanos, é orgânico. Precisamos saber para crescer como humanidade. E a leitura e o hábito da leitura não deixará caducar nossa capacidade de decidir o rumo de nossas vidas amesquinhada pelo tempo em que se vive repetindo e seguindo a corrente da massa.

Bertrand de Mandeville escreveu que “para que o povo viva contente mesmo numa situação miserável, é preciso que a maioria continue ignorante e pobre” e conclui que “o saber aumenta e multiplica os nossos desejos, e, quanto menos um homem desejar, mais fácil é satisfazer as suas necessidades”. Entendo este “saber” possa, e claramente é inegável, ser construído a partir da leitura ou arraigado nos livros como fonte, ponta-pé inicial para um saber mais amplo. Nas conversas, trocas de informações.

Me preocupa um futuro de analfabetos funcionais, saberemos ler as ordens e não saberemos senti-las, somente efetuá-las. Escreveremos a carta ou e-mail e não saberemos expressar. Veremos o tempo passar e não seremos capazes de participar da história, nem da própria história provavelmente.

Seremos tão somente passageiros do cruzeiro de Caronte até o nosso grandioso inferno de incapacidades e imperícia no que deveríamos de ser protagonistas, o viver. Seremos tão somente vítimas do nosso descaso e deixando por acaso a nossa vida escapar numa centena de páginas em branco.

25/fevereiro/2010 / Vagner Heleno

Divino Aborto

É tediosa a discussão entre religião e ciência. Tediosa pois não é diálogo, no sentido “aurélico”, verdadeiro, da palavra;o que se ouve sempre e constantemente é tão somente uma discussão estilhaçada de vitrais coloridos e tubos de ensaio. Uma tinhosa briga por razão, pela fatia do mercado das idéias e de seguidores, fanaticamente temperamentais ou fanaticamente lógicos demais. Uma batalha (i)meritosa de retóricas extensas e sonolentas.

Me pergunto: “onde o ‘deus’ nasce?”. Nasce nos primórdios da nossa “homo sapiência”, quando a nossa capacidade cognitiva começa a se formar. Assim passamos a criar ferramentais para a caça, por exemplo. Começávamos a controlar então o fluxo da nossa “sorte”, observamos e buscamos construir utensílios para facilitar o alcance de objetivos simples. Mas, nesse burburinho de pequenas invenções para caçar, agasalhar-se e tudo mais, observávamos, sem compreender sua mecânica, que hoje nos aparenta ser tão simples, fenômenos como a chuva, o dia, a noite, etc.

Imagine-se sem conhecimento algum, nem fontes de informações nem nada, no nada, na mais paleolítica das situações. E tente-se explicar a chuva. O sol que ilumina a noite e lhe protege dos perigos noturnos. Não é de outro mundo isso? Claro, isso é coisa de “Deus”! E criam-se os deuses. Da chuva, do sol, da noite, da agricultura, da caça, etc.

De forma alguma questiono a legitimidade da idéia de haver um Deus criador de tudo e do todo. Nem do contrário. Só que essa rinha de galos entre religião e ciência são plenamente complementares. Se Deus fez que caia a chuva, a ciência explica seu mecanismo, se cria o dia e a noite, a ciência explica o mecanismo de rotação e translação do planeta, e ponto.

Há pouco tempo, quando caminhava na volta para casa, pensei que se alguém voltasse no tempo e explicasse o porque da chuva para um paleolítico homem, abortaríamos o nascimento de inúmeros endeusamentos por insuficiência de cognição humana na sua raiz. O sol esquenta, a água evapora, no céu se acumula, e no fim da reunião acinzentada, defenestra-se, precipita-se ao chão, rega plantas em larga escala, as fazem crescerem e florescerem e frutificarem, e o lençol freático e o rio e o ciclo. Ponto. Mata-se deus no seu embrião, ao menos o Deus da Chuva.

Não há nada de escabrunhoso em dizer que deus criou ou não criou, que certeza se tem de alguma coisa? Nenhuma. A incógnita de existir, a idéia do princípio e do fim não está para nós, no momento, como questionamentos a serem respondidos com certeza categórica. Não saberemos ao longo de plenas eras e milênios donde partimos, sempre existirá uma pergunta no infinito à esquerda.

Se Deus existe, quem ou o quê o criou? Donde veio? Onde estava? E o Big Bang? Que era antes de estourar como universo em expansão? Expande-se onde? Quem o tocou e o moveu para que estourasse nessa farra cósmica de átomos e supernovas?

Compreendem? Religião e ciência são complementares, a mesma face da moeda.
Numa face a cognição humilde da unidade entre conhecido, reconhecido, desconhecido e a curiosidade que nos move sem arrogância às descobertas inocentes da realidade. Na outra face, esta corja de fanáticos cheios de razão de si e que aguardam serem sobrepostos por teorias mais corretas e por aceitações mais numerosas da massa de homo sapiens sapiens que acham que sabem tudo.

Sócrates era o cara e fez a tempo o que o tempo nos faz temer. Tomou a última dose, uma cicuta venenosa sabendo que não sabia de nada.

28/maio/2009 / Vagner Heleno

A social anti-ética

Vivemos em uma organização social onde os fins justificam os meios, em uma estrutura familiar em que a educação é baseada no padrão de consumo. Estamos submersos em consumo, lucro e débito. Parcelas, juros, prestações, aluguéis… Educamos o mundo para sabermos agir diante destas situações.
Um breve exemplo da bestial hipocrisia em que estamos nos afogando, para não concretizar o termo, me ocorreu hoje em um treinamento no trabalho. Situação esta que é a seguinte.
A gerente da loja relatando que como somos vendedores, nós fizemos nosso salário, logo, quanto mais vendas fizermos mais “lucro” teremos. Nos contou sobre um ex-funcionário que lhe apareceu feliz por ter comprado uma moto com as economias do ano. Beleza. Encerrou a conversa assim. “Quem de nós não quer uma casa melhor, um carro melhor, uma roupa mais cara, um bem estar maior… é pra isso que estamos aqui no mundo, para sermos felizes e adiquirirmos coisas… só que a gente tem que trabalhar pra isso, essas coisas não caem do céu…”
Ponto.
Ela, a gerente, é pastora de uma dessas infinitas segregações ideológicas do cristianismo, professora de teologia inclusive. Pegando leve na crítica, uma mulher com conhecimento filosófico do cristianismo me fala uma besteira redondademte avessa à sua crença e hábito pseudo-ético, “… é pra isso que estamos aqui, para sermos felizes e adiquirirmos coisas…”. Desde quando “Jesus disse”: “compre uma carruagem nova, compre uma roupa de fino linho e serás feliz… levará consigo tuas riquezas materiais, pois nela habita o reino de ‘deus’”. Hein?
Veja bem, meu bem… sinto lhe informar… o mundo é tosco e ignorante. E é fato.
Qualquer pessoa com um mínimo de dicernimento conseguiria ao menos pasmar diante de um posicionamento desses e lhes retirar o crédito (não monetário, mas também o vale, visto o dízimo), pois esse tipo de absurdo é fruto do condicionamento pelo sistemas de crenças e do sistema social que nos permite justificar o fim pelo meio.
É dito e relembrado que isso é uma condição humana natural. Avareza, ganância, hipocrisia e deslealdade NÃO É da essência humana. Somo ensinados desde moleque a crer que o que vale é o melhor pra si, que o que vale é a vitória, competir que se dane, na trapaça ou na ameaça, o que vale é ganhar. Vivemos corformados com a concorrência integral, com a necessidade de competir para vencer. Para vencer um jogo que no fim das contas, não te levou á nada, talvez à uma tardia consciência que não se viveu, aprendeu, nem amou o que deveria ser amado. Quando se chegar na velhice e perceber que você não passará de um estorvo para seus filhos, pois será gasto e tempo perdidos com uma pessoa que não lhes serve mais. E, querendo ou não, com a piedade mais cínica possível, vai sentir pena e sentir alívio quando poder lucrar em paz.
Tempo é dinheiro. Saúde é dinheiro. Venda sua alma ao banco, penhore sua vida. Sustente alguém que não faz nada mais à você que não lhe cobrar juros e moratórias. Viva anti-eticamente. Seja tolo, seja imbecil, seja ignorante, cego e manipulável. Parabéns, vocês estão conseguindo destruir o que nos sobra de vida.

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